quinta-feira, maio 08, 2003


Nesses ultimos dias estive passado. Estou passado... Ok. Eu tive outros relacionamentos aqui em Londres, mas eu nao me sentia tao...viajado como agora. E num passar de magica, todo e qualquer problema desaparece, as dificuldades se tornam pequenos obstaculos, facilmente transponiveis... Millie, 29 anos. Linda, linda linda. Eh a tipica "hacknista", tipica moradora de Hackney. E quando me dou conta, estou eu planejando irmos ao Brasil, viajar de norte a sul. ............................

sexta-feira, abril 25, 2003


Moro na area mais obscura de um bairro que jah eh obscuro. Hackney Wick, no distrito de Hackney. Ocuparam um Pub logo em frente a minha casa, e todo fim-de-semana rolam festas, das mais loucas. O local lota. As festas comecam na sexta e terminam soh no Domingo a tarde. Quem disse que os Pub's nao abrem depois das 23 horas? Em Hackney tudo eh possivel. Aos domingos rola o famoso Hackney Wick Market, um mercado popular onde se pode comprar dese laranja ateh televisores. E se vc nao tem dinheiro nenhum basta ir mais a tarde, quando as barracas estao sendo desmontadas, muitos comerciantes deixam pra traz mercadorias que nao venderam: roupas, objetos de cozinha, frutas, etc.


Em Dalston Lane, no outro extremo de Hackney, ha uma ocupaçao de 3 conjuntos de lojas. Os moradores transformaram o lugar num centro de convivencia. As quintas rola um cafe (o pessoal prepara um comida, vende cerveja, etc. Rola cursos de ingles. A maioria da galera eh squatter. Espanhois, italianos, poloneses, os mais fudidos e mal pagos. E vamos nos ajudando, quando aparece alguem novo, o pessoal dah uma força - "tem um apartamento vazio na rua tal" ...

terça-feira, abril 01, 2003


Sabado passado estava eu em casa, ouvindo um som, tranquilo, quando a campainha toca. Abri uma porta uma senhora, bem velhinha, entra desesperadamente porta adentro. Nao disse uma palavra. Perguntei se estava tudo bem, ela responde que sim, tudo bem e continua em silencio. Percebi que ela nao estava ou nao era como normalmente esperamos que as pessoas sejam. Decidi mergulhar no mundo dela... "Aceita um cha?" "Nao, obrigada!" (obs: dialogo em ingles, mais ou menos isso...). "Jesus Cristo! Oh meu grande pai! Pai nosso!" E começou a chorar... Eu me aproximei dela, abracei ela. Ela parou de chorar e começou a sorrir. Depois ficou calada por uns 5 minutos. Depois se levantou e disse: "Obrigada!", me deu um beijo no rosto e foi embora...


Penso que tentar entender, nesse caso, significaria deixar de entender tudo. Que assim o seja.

sexta-feira, março 28, 2003


E as mobilizaçoes contra a guerra continuam a todo vapor. Depois de cerca de 2 milhoes de pessoas no dia 15 de fevereiro, sabado que passou, dia 22 outra grande mani, com cerca de 500 mil ou mais. Sabado agora ha diversas manifestacoes programadas em diferentes bairros de Londres.


A verdadeira faceta do chamado "mundo democratico" estah a tona. O mais horripilante que tenho lido sao os cadernos de economia, dos jornais daqui. Numa previsao "otimista" apos o fim da guerra o petroleo iraquiano seria privatizado, o preco do barril cairia, e os investidores viveria felizes para sempre. E mais horripilante ainda eh ler comentarios de leitores, justificando a guerra de suas confortaveis poltronas a milhares de quilometros de onde as bombas caem e o sangue escorre, 'os "aliados" vao libertar o povo iraquiano da tirania e serah o inicio da democracia no mundo arabe...' Como se liberdade viesse assim, caindo do ceu... explodindo...

quarta-feira, março 26, 2003


A italiana, que eu disse abaixo, foi morar em Candem Town. Foi uma e ficou outra no lugar. Outra Bolonhesa... Claro, eu adoro italianas. E fico contente em saber que ela tb me adoram. he he he he. Mas esta foi embora logo. Ficamos durante 2 semanas numa boa... O problema do Eton eh que dormimos todos num unico espaço. Nao eh uma casa, nao tem quartos. E quando queremos curtir um pouco por debaixo de cobertores e lençois tem que escolher uma hora em que nao tenha mais ninguem. Ou entao dar um toque, dependendo de quem for...



Olha, viver no Eton, realmente nao eh facil. Nao tem agua quente. O banheiro eh minusculo e precario. Descarga na base do balde, etc. Mas o que muda agora sao as pessoas. Eu poderia tentar descolar outro lugar pra morar, mas prefiro continuar onde estou. As pessoas da casa sao extremamente bacanas, com tropeços vamos vivendo. Assim tem sido.

terça-feira, fevereiro 25, 2003


Gente... Desculpa esse tempo em silencio. Andei meio sem cabeça pra escrever aqui. Muitas coisas aconteceram... vamos a elas:



O Radical Dairy, essa linda casa da foto abaixo, simplesmente morreu. Foi uma morte previsivel, desde Janeiro... E até que ele viveu bastante. Um squat em Londres normalmente nao dura mais do que 4 meses. O Dairy durou exatamente 1 ano. Na verdade quando eu fui morar na casa ela jah nao estava como foi um dia. Desde que a policia cortou a eletricidade, as atividades foram completamente prejudicadas. Absurdamente fria, meu passatempo era sustentar a lareira. Nao era ruim. Mas tambem nao foi assim, um "maravilhoso" momento. A melhor fase foi quando a Yuli aqui esteve (minha amiga que mora na Grecia...). Depois fiquei meio atoa. E aos pouquinhos fui sentindo que a casa estava chegando ao seu fim. Primeiro chegou o processo de eviction, depois foi adiado o julgamento por algumas semanas, nova data de julgamento, o julgamento (no qual perdemos) e depois finalmente a data da eviction propriamente dita.



Minha apreensao era... para onde ir? Com os brasileiros que conheço aqui nenhum deu certo. Todos com casa cheia. Acabei deixando rolar, na rua provavelmente eu jamais ficaria, alguem iria me oferecer alguma oportunidade. No dia da eviction, o pessoal do coletivo do Dairy apareceu. Fez um certo barulho, um pouco de discussao com os fiscais. E eu fui parar no outro extremo do mesmo bairro. Num antigo clube de sinuca, o Eton.



Cheguei num dia de festa, muita gente, muito barulho. E no meio de todo aquele alvoroço, um par de lindos olhos me perseguia. E entre cidra, cerveja e marijuana nao deu pra saber muito sobre a dona daqueles olhos. No outro dia lah veio ela. Roberta, italiana, recem chegada a Londres. Tem 27 anos, mas eh de uma inocencia... E o sabado depois da festa foi 1000 maravilhas: passeamos pela cidade, andamos pela margem do Rio Thames, jantamos comida indiana. Olha..., a melhor novidade que poderia me aparecer aqui nessa cidade. Nunca me senti tao bem aqui...

quarta-feira, fevereiro 05, 2003


Continuando depois de alguns dias de descanso e loucura... buenas, eu chego lah. E agora pra voces a casa em que morei desde entao e onde estou morando ateh agora:

Radical Dairy
Eis o site do espaço.

Logo que saih do sul de Londres eu jah tinha em mente a possibilidade de bater na porta desse lugar. Eu tinha dado uma lida no site, e enfim, pirei com o lugar. Estava ancioso em conhece-lo. Eu jah tinha ido inclusive algumas vezes lah, mas das vezes que eu fui nao havia ninguem. Mas dessa vez tive a sorte de ir justamente quando iria rolar uma mostra de videos. Eram uns 4 videos sobre refugiados. Quem me recebeu foi uma inglesa, muito linda e simpatica, que pra facilitar bastante as coisas, falava espanhol muito bem. A casa tem um aspecto bem bucolico, nos faz sentir em alguma cidade no interior de... enfim. Nao nos sentimos em Londres. O espaço eh mantido por um coletivo de cerca de 10 voluntarios. Antes me falaram que haviam atividades quase todos os dias. Como era fim-de-ano a casa andava meio parada. Nao ha luz eletrica. Houve problemas com a policia, em verdade perseguicao politica. Veja bem. A casa eh um point ativista em Londres. O pessoal que frequenta eh normalmente envolvido com algum grupo ativista de Londres (Reclaim the Srteets, Woombles, etc) . Em dias de atividades eh possivel ligar eletricidade atraves de um gerador a gasolina. Fiquei por lah, e desde entao tenho vivido em meio a festas, baladas e reunioes politicas.

Quem realmente mora no espaco eh eu e o Simon. Comida normalmente nao falta, os proprios comerciantes da regiao entregam alimentos que estao pra vencer (bolos, iogurtes, falafel, pao, lanches prontos, salsichas vegans, etc).

Certo dia, eu estava em casa sozinho, e ouço pessoas conversando em portugues na porta de casa. Fui ver, estavam brincando com o gato. Era um cara e uma mina, imaginei brasileiros. Convidei pra entrar, tomar um cha e descubro entao que eles moram com uma amiga minha de Sampa, que eu nao via ha anos, desde que ela veio pra Europa. Eles moram bem perto. Fui ateh lah. Eh um pessoal muito legal, pena que a casa deles estah lotada, senao jah estaria morando com eles. Outro fato curioso foi na noite de ano-novo. Chegam um espanhol que aparece em casa as vezes, e o Guilherme, que tinha morado comigo em Marble Arch. Ele me conta que depois que sai do sul de Londres, ficou sem ter onde durmir. Passava os dias e as noites vagando pela cidade. Durmia em rodoviarias, estaçoes de trem, aeroportos. Na noite de natal ficou num abrigo para homeless. Ateh que conheceu e foi morar com o tal espanhol. Depois disso nunca mais vi ele.

Outra expectativa que eu tinha era pela chegada de uma amiga brasileira, que hoje mora em Atenas, na Grecia. Ela chegou aqui em torno do dia 10 de Janeiro. Ficou durante uma semana. Foi otimo estar com ela aqui. O pai dela eh grego, e ha 6 meses ela foi para lah, morar com uma tia. Ela nao fala grego, nem ingles, nem nada. Tao somente portugues. Com isso tem enfrentado muitas dificuldades. Acabamos nem saindo muito, ficando mais em casa, jogando gamao. Semana perfeita. Depois que ela foi embora me senti meio no vazio. Desde entao eu tenho estado mais sozinho. O Simon quase nao para em casa, e eh uma pessoa extremamente fechada, eh muito dificil "puxar" um assunto com ele. Numa cidade em que as pessoas chegam a dividir o mesmo quarto com 2 , 3 pessoas eh curioso que eu esteja vivendo numa casa enorme e e sozinho. Nao me sinto exatamente mal com isso. Gosto de estar soh. Mas nem tanto...

segunda-feira, janeiro 27, 2003



O nome do lugar na verdade, eh Tulse Hill. Eh pertinho de Brixton, ao sul de Londres. Um casarao enorme, digno de filmes de terror. A casa muuuuuito baguncada, muito mesmo, provavelmente pelos ultimos moradores (que tambem a haviam ocupado). Sem luz, sem agua, soh uma mangueira ligada ao banheiro improvisava a descarga. Fomos para lah porque realmente nao tinhamos nenhuma outra opcao. Ficamos por lah por cerca de 1 semana. O eslovaco e o espanhol foram embora antes. Ateh que um certo dia, quando eu voltava do centro de Londres, chego na casa e vejo, logo na calcada uma pilha gigante de entulhos. A francesa, que morava conosco estava chorando. Primeiro ela comecou a dizer coisas em frances (eu nao entendi nadfa, claro), depois ela tentou dizer em ingles, (mas tb nao ajudou muito) ateh que ela consegue dizer em espanhol: os "donos" entraram na casa e sumiram com todas as nossas coisas. Eu ainda consegui entrar pela janela, percorri a casa inteira para ver se encontrava algo, mas nada. Nisso uma criatura, que diz ser o dono da casa, vem ateh a mim com toda violencia dizendo: "I want to kill you! I want to kill you! I want to kill you!" Lembrei do psicose. Realmente, os tais donos nao eram pessoas normais. Eram loucos, loucos. Logo mais chegou o brasileiro e a polonesa. Chamamos a policia por 2 vezes, mas nao adiantou de nada. Ficamos de plantao a noite toda na calcada em frente. Ateh que uma garota austriaca, nos oferece sua casa(que tb eh uma okupa) para ficarmos. Foi eu, um dos brasileiros (o Guilherme) e mais o sul-africano. Os demais ficaram, ainda com a esperanca de reaver as coisas. Lah na casa com a austriaca, passamos uma noite muito otima, com varias pessoas, conversando. Eles todos falavam ingles muito bem, e tinham coisas muito interessantes pra dizer. No outro dia houve um conflito entre moradores dessa casa onde estavamos, pelo fato da garota austriaca ter nos dado hospedagem. Depois de 2 dias de discussao, as 2 garotas que nos ajudaram (a austriaca e uma italiana) resolvem ir embora. Se elas partiram por ter nos dado hospedagem o que estavamos nos fazendo ali? A essas alturas eu jah sabia para onde poderia ir. Os outros cada um arrumou tambem um lugar para onde ir. Soh o Guilerme que disse que nao sabia pra onde iria, mas disse que saberia se virar, e assim foi. Eu fui para o tal centro social anarquista, que eu disse em outro post que estava procurando.

sábado, janeiro 25, 2003


Esse blog eh lento... Jah fiz as alteracoes necessarias para melhorar o "visual" dele, mas ainda continua todo zuado... Aliaz, nao duvido nada que este post que agora escrevo soh entre no ar com o blog todo "bonitinho"...

sexta-feira, janeiro 24, 2003


Houve um dia, em que quando acessei meus emails encontrei 2 mensagens de pessoas me oferecendo ajuda. Descobri depois que isso aconteceu porque a Isa mandou mensagem para uma lista de discussao de lesbicas de Londres. Mas foram 2 caras que me escreveram. Um deles me indicando onde fica o Centro Social anarquista que eu procurava. O outro me passou alem disso, seu proprio telefone e me disse que poderia conseguir um lugar, onde eu poderia ficar. Eu nao podia ligar porque nao tinha nenhuma moeda de "pi". O luis, de Sao Paulo, neste mesmo dia me pos em contato com um cara, brasileiro e que estava morando em Londres. Conversei com o cara e acabei por ir morar junto com ele. Era um squat que ficava bem no centro, zona 1, em Marble Arch. 6 andares, muitos quartos 2 banheiros, 2 cozinhas. Os moradores eram alem de mim mais 2 brasileiros, 1 espanhol, 1 eslovaco, 1 francesa, 2 poloneses, 1 sul-africano. Cheguei no lugar e ele me diz "escolhe um quarto aih". Era muito bom pra ser verdade. E realmente, as coisas nao poderiam estar tao perfeitas. Nao durou 1 semana. Eles jah estavam esperando a carta de despejo, pois jah tinham ido a julgamento, perdido 2 vezes depois de apelacao. O absurdo da parte deles, eh que jah que tinham perdido todas as possibilidades, porque nao foram atraz de outra casa o quanto antes? A casa tambem era abastecida com muita comida, no geral alimentos que passaram da data de validade, que o pessoal descolava em supermercados da regiao. E eu que estava a bastante tempo comendo muito mal, foi estranho e dificil me acostumar a comer muito bem.

Depois de 1 semana, enfim chega a maldita carta. Para despejo exatamente no dia seguinte. Passamos a noite toda tentando abrir apartamentos mas, todos foram fracassos. Uma casa nao tinha nem chao, outra nao tinha agua nem luz. O despejo era para as 7:00 da manha. As 6:30 ainda estavamos tentando abrir casas... A polonesa aponta como uma opcao alternativa irmos para uma casa onde antes era ocupada por uns poloneses, em Brixton. E foi assim que para lah fomos, para a terrivel e maldita casa do sul de Londres...

A Angelica publicou um post sobre mim. Estou comecando a intrigar... Logo vao
achar que esse meu blog eh jogada
de marketing.



He he he...

Algumas palavras soltas para preencher um post inapagavel e para nao transparecer minha pouca habilidade em lidar com blogs...
Fiquei 2 semanas correndo atraz de algum contato em Londres, mas nenhum dava certo. Eu conhecia alguns amigos aqui, mas nao tinha emails, nem nada. E ninguem que eu conhecia tinha os emails deles. Fiquei nesse desespero por varios dias, ateh que eu decido vir para Londres sem dinheiro, sem contato, sem nada. Com a cara e a coragem. O empurrao para que o mesmo ocorresse veio quando falei com a minha mais que amiga Isa pelo chat. Desde entao meu estado mudou. Do desespero a esperanca. Comprei a passagem. Comprei ida-e-volta, apenas para facilitar minha argumentacao com a policia alfandegaria inglesa. Meu dinheiro estava praticamente esgotado. Eu tinha 75€00. A passagem ficou 62€00 e somando a grana que eu gastei com metro para ir comprar a passagem, me sobraram 10€00. Para que nao chegasse a Inglaterra sem dinheio e para que eu nao tivesse problemas com o cambio ( muitas casas de cambio nao aceitam moedas) guardei a nota de 10€00 decidi a mim mesmo que so gastaria depois que eu estivesse em territorio ingles e com o dinheiro cambiado a Libra. Parti de casa, em Paris, muito cedo. Cerca de 5 horas antes da partida do onibus. Fui a pe ateh o terminal rodoviario, em Paris, com minha mochila nas costas. E a fome apertando. Foram 3 horas de caminhada. Cheguei no terminal completamente arrasado. No momento eu nem sabia o quanto de energia eu ainda tinha. Mal poderia saber que o pior ainda estava por vir. Embarco no onibus e entao lah me vou rumo ao Canal da Manha. Em 3 horas e meia de viagem chego em Calais, cidade francesa banhada pelo Canal. Passo pela alfandega francesa sem problemas. Na inglesa eu jah fui bastante seguro de mim mesmo, tambem nao tive qualquer problema. Quando voltei ao onibus meu lugar tinha sido tomado por 2 idiotas, mas eu estava tao aereo com as preocupacoes todas que naquele momento nem me importei com os pilantras e fui me sentar em outro banco. A passagem pelo eurotuneo foi louca. O onibus entra dentro de um vagao de trem enorme e assim fazemos a travessia em poucos minutos (por balsa levaria pouco mais de 1 hora). Enfim Londres. Eu com muita fome, sem 1 centavo de libra no bolso, soh posso esperar abrir a casa de cambio. Meus 10€00 viram £4,00 (£2,00 de presente...ops! De comissao para a casa de cambio). Fui atraz do cyber-cafe barato, seguindo meu guia de viagens e realmente! Para quem pagva 4€00 em Paris, eh realmente muito barato. Paguei 25p (o equivalente a 0€40) por hora. Verifico se ha alguma mensagem em resposta as que eu mandei para contatos em Londres, mas nao ha nenhuma. Vasculhando e net anoto 3 enderecos de squats em Londres. Entre eles percebo a possibilidade de ir em 1 deles, pois havia indicacao da estacao de metro proxima ao lugar. Vou ao supermercado (dica economica do meu guia tambem...) na Oxford Street, e caminho muito pra chegar. Compro uns paes doces e uma agua com gas, gastando £1,00. Fiquei andando atoa ateh que tomasse o rumo a um dos enderecos de squat que apontavam para a estacao de metro Leytonstone. A passagem de metro eh absurdamente o valor de £2,20. Eu tinha £2,00 no bolso. So me restou ir a pe. E entao caminho num estado muito alem da capacidade, ou muito alem do que eu imaginava que era meu limite de resistencia. Com algumas paradas para descanso levo entre 4 e 5 horas caminhando com minha enorme mochila nas costas. Tomo chuva forte em doses (nada de garoa como Paris, mas sim chuva de verdade). Lugar muito dificil de chegar, jah no extremo, jah delirando fome e cansaco chego ao destino. Bato a porte e... Comeca uma nova etapa nesta louca jornada.

A casa eh habitada por pessoas que realizam alguma arte. Musica, pintura, escultura. Ha umas 3 espanholas e outros entre ingleses, indianos e outras nacionlidades na qual nao sei. Quando contei como cheguei ficaram muito impressionados comigo. Por causa da minha caminhada desde o centro ateh o lugar (mal sabem os doidos que eu fiz a caminhada hoje para chegar ateh este cyber cafe. E que ainda vou caminhar para voltar ateh a casa...). As pessoas, tem sido todas bastante simpaticas e receptivas. Um indiano dah aulas de capoeira enquanto duas garotas constroem coisas loucas com bambu. Pinturas psicodelicas pelas paredes. E uma garota ainda toca piano...
Um squatter normalmente procura por um... squat, ou seja, por uma casa ocupada. Contato aqui, contato ali e com um amigo de um conhecido consegui o contato de um frances que mora na suica, mas que por coincidencia estaria em Paris quando eu por lah chegasse. Fico numa casa enorme, com varios comodos. Fico com um quarto soh pra mim. As pessoas que habitam sao uns 6 envolvidos na cena punk de Paris e 2 algerianos. O dinheiro que eu trouxe do Brasil foi sumindo...sumindo...sumindo... E olhe que eu fiz um esforco estratosferico para economizar o maximo que eu podia, soh comendo rango de supermercado. Eu ainda gastei com museus, e atracoes em Paris, mas disto eu nao me arrependo, ateh porque senao nem valeria a pena estar em Paris. Mas realmente, aquela cidade no eh para pobres mortais com dinheiro contado. 2 semanas depois de estar em Paris, descubro que uma galera estah indo para um festival em Dijon (capital da Borgonha, 300 kms ao sul de Paris) e nao eh que eu consegui uma carona ateh lah? Eu nem fui pelo tal festival, fui mais pela possibilidade de conhecer uma outra cidade francesa. E eu imaginando que o festival era soh de bandas hardcore, daquelas que eu to careca de enjoado de ouvir em sampa descubro que realmente, ateh os punks franceses tem cultura, e muita. Muitas bandas excelentes, de alta qualidade e para varios gostos. Havia uma, com uma performance teatral, munidos de violoes, violinos e vassouras(!!). Os caras conseguiam fazer musica com vassoura, e mesmo sem nada, soh com a voz! Muito, muito bom.

Agora vejam soh. Primeiro pensei em ficar um tempo maior em Paris, estudar frances... Mas logo percebi que ia ser muito dificil me manter por lah. Quando eu estava em Dijon que me decidi para onde iria: Londres.

quarta-feira, janeiro 22, 2003

Como eh que eu vim parar nessa maldita cidade? Ou ainda, porque aqui estar?

A pior pergunta que me fazem (ou pelo menos eh a que mais me irrita) eh "o que vc veio fazer aqui?" Jamais se pergunta a um viajante o que ele foi fazer em seu destino. Viajar eh viver, eh conhecer novas culturas, novas pessoas, novas linguas, novas paisagens. Viajar eh descobrir. As pessoas podem ateh viajar com um proposito X (trabalhar, turismo, estudo, etc), a descoberta do novo ante seus olhos jah eh motivo mais do que suficiente para cruzar fronteiras, mares ou horizontes.

Minha vida sempre foi viajar, descobrir, conhecer. Ateh os 14 anos tudo que eu conhecia era Sao Paulo e seu litoral (Baixada Santista). E sempre a conviver com pessoas na qual seu mundo se restringia a isso. Aos 14 estive em Mirassol, interior de Sao Paulo, e ateh o ano seguinte eu jah havia viajado pelas principais estradas e estado nas principais cidades do interior paulista. Minha primeira experiencia fora de Sao Paulo foi Florianopolis. Fim de ano, eu jah trabalhando recebo algum dinheiro de "presente de natal" dos meus patroes. E lah fui eu para Floripa, sem conhecer nada ou ninguem, fui por pura aventura. A cada feriado para mim era momento de por mochila nas costas e partir. Curitiba, Goiania, Rio de Janeiro, Belo Horisonte, Vitoria, Salvador, Aracaju, sem falar nas cidades pequenas de seus respectivos Estados. Em 1999 fui um tanto mais ousado. Ferias do trabalho comprei uma passagem aerea rumo a Manaus. 2 dias na cidade e mais 2 pelo Rio amazonas rumo a Belem do Para. Mais uma semana em Belem, e outros 2 dias e meio de onibus para retornar a Sao Paulo.

Soh mesmo em 2002 que pude realizar outra viagem mais ousada. Sao Paulo - Buenos Aires de onibus, e de lah para Montevideo. Nessa eu jah estava mais livre. Sem trabalho mas ao mesmo tempo com dinheiro limitado. Essa foi talvez preparatoria pro que eu iria enfrentar mais a frente: linguagem.

Depois de mais um mes em Sao Paulo, pensando, pensando (pensando no que?) resolvo partir rumo a Europa. Inicialmente minha intencao era de ir primeiro a Barcelona. Mas como encontrei passagem mais barata para Paris, eh pra lah que fui. Conto varios detalhes, por um ponto de vista mais turisticos aqui: http://squatter.cjb.net